
:( Sem resultados. Pedimos desculpa.
Por favor, verifica a tua pesquisa. Usa a pesquisa avançada ou explora a nossa página principal.
Ao clicar em Continuar com a conta Google ou Facebook aceita Kinguin's os Termos e Condições e a Política de Privacidade, bem como com os Termos e Condições NFT e a Política de Privacidade NFT.
Chisato Ryoko pressionou seu ouvido no sino do santuário para ouvi-lo cantar sobre presságios que viriam: pragas de besouros e sapos, invernos incapacitantes, um padre quebrando o pé entre pedras de paralelepípedos. Ela se agarrou ao sino na noite em que o santuário queimou, sua família fugiu, os padres empurrados de penhascos. Mas Ryoko permaneceu. Ela sozinha testemunhou os ronins que apareceram e cortaram cada profanador.
O ronin puxou Ryoko do sino do templo, pressionou seu ouvido em uma espada e a abandonou. Ela podia ouvir uma melodia na lâmina — ela cantava mais alto que o sino.
Ryoko cuidou das ruínas do santuário, polindo as nervuras de cinza dos portões torii, mas o zumbido do sabre se tornou mais brutal — hipnótico, até — até que um dia ela partiu para silenciar o que quer que o fizesse cantar.
Encantada, ela suportou três provações:
Ela cruzou um lago congelado com mil pássaros espiando. Um único olhar trancaria sua alma dentro de suas asas paradas.
Ela navegou por ravinas de mil ossos, rastejando com uma sede por coisas além da água.
Por fim, aquilo que fez a lâmina cantar apareceu — um grou com uma corrupção de cigarras saindo de seus pulmões infestados e feridos. O grou perfurou sua mandíbula com seu bico e rezou.
“Alegrem-se, pois cada novo buraco é mais um lugar para a luz brilhar.”
Ryoko quebrou o pescoço do guindaste. As árvores ficaram em silêncio, e o transe terminou. Ela se aventurou até a beira do mar e ouviu sua lâmina mais uma vez. Uma nova canção zumbia do outro lado do nascer do sol, onde a água ficava preta e os corações dos homens condenados imploravam por buracos e luz.
